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UFMG promove 1ª Semana de Engenharia Nuclear e Ciências das Radiações

Postado em: 28/05/2012

Evento tenta aproximar a população de tema tão temido e polêmico. Fonte energética tem grande potencial de crescimento no Brasil

Fonte: Carolina Braga - Estado de Minas

Publicação: 28/05/2012

Se existe um lugar-comum no que diz respeito às energias nucleares é um pé atrás, principalmente de quem não é da área e tem a ideia sobre os riscos que tal fonte de energia pode causar ao ser humano. Mas, ao mesmo tempo em que o medo ainda impera entre os amadores, há, por outro lado, crescente interesse e curiosidade em relação ao tema. Claro, sem dizer das ações que tentam minimizar a imagem negativa dessa fonte de energia.

É diante dessa constatação e com o objetivo de desmitificar o assunto que o Departamento de Engenharia Nuclear (DEN) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realiza de amanhã a quinta-feira a 1ª Semana de Engenharia Nuclear e Ciências das Radiações, em Belo Horizonte. “Queremos levar mais informações sobre a aplicação das radiações para as pessoas. A população conhece pouco e tem medo. Vamos mostrar que para fins pacíficos a energia nuclear pode ser muito útil”, diz uma das coordenadoras do evento, a física Antonella Lombardi Costa, professora no programa de pós-graduação em ciências e técnicas nucleares da UFMG.

A partir de amanhã, além de professores da UFMG, doutores convidados e pesquisadores da Eletronuclear – empresa brasileira fornecedora de energia elétrica a partir da energia nuclear, subsidiária da Eletrobras e vinculada ao Ministério de Minas e Energia –, estarão na Escola de Engenharia, no câmpus Pampulha, para falar da área sob vários aspectos, entre eles a importância das radiações nos tratamentos de saúde, especialmente do câncer, os avanços dos diagnósticos e também sobre casos recentes, como o da usina de Fukushima, no Japão, onde houve um acidente radioativo.

“O conhecimento da energia nuclear chegou ao público, de uma forma geral, por meio das bombas. A guerra fria – designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, que teve início logo depois da Segunda Guerra Mundial (1945) e durou até a extinção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991 - sutilmente perpetuou esse conhecimento, a possibilidade de um presidente tirar o telefone vermelho do gancho e explodir tudo. Então, o DNA da informação nuclear é de medo”, reconhece José Manuel Dias Francisco, coordenador de comunicação e segurança nuclear da Eletronuclear.

Convidado para falar justamente sobre a segurança, José Manuel diz enfrentar diariamente o desafio de conscientizar a população dos benefícios da energia nuclear. “O petróleo sempre foi chamado de ouro negro, relacionado ao desenvolvimento, por mais que vazamentos ocorram. Já com a energia nuclear é muito difícil tirar essa marca negativa”, reconhece. Segundo ele, a energia nuclear guarda potencial em relação ao crescimento sustentável do país. E mais: o potencial do Brasil ainda se encontra em prospecção. “Temos somente 30% do território prospectado. Ainda assim, somos o sexto país em quantidade de urânio no solo. Existe uma perspectiva de que com o tipo de solo que o Brasil tem há urânio suficiente para que cheguemos ao segundo lugar no ranking mundial”, detalha.

Como não basta apenas a presença do urânio, é preciso ter a tecnologia para enriquecê-lo, José Manuel garante que o país também não fica atrás. Os convênios internacionais envolvidos na construção das usinas de Angra 2 e 3 incluíram transferência de tecnologia vinda da Alemanha. “Desenvolvemos, por meio de pesquisas, maneiras de enriquecimento do urânio. Investimos não só nos processos de engenharia, como temos o ciclo fechado para a geração do combustível. É isso que propicia o crescimento sustentável”, acrescenta o coordenador da Eletronuclear.

Medicina

De acordo com o professor da UFMG Tarcísio Passos Ribeiro de Campos, doutor em engenharia nuclear pela University of Illinois at Urbana Chamapaign, os temas nucleares, geralmente, têm duas faces. “Uma envolvendo a área industrial, o uso das radiações para produção de energia por meio dos reatores nucleares; e a outra, na área da saúde. Nesta última, não há dúvida sobre os benefícios trazidos nos últimos 100 anos”, explica Campos.

Na exposição marcada para quarta-feira, ele vai comentar os avanços acumulados desde a descoberta dos raios X, em 1895. “Na realidade, houve uma separação mental da população sobre o que é nuclear. As pessoas não conseguem entender que quando fazem um exame, um raio X, uma ressoância, aquilo ali também é uma ação do efeito do comportamento dos núcleos. Nesse contexto, a energia nuclear está muito bem solidificada dentro da sociedade”, ressalta Tarcísio de Campos.

Ele conta que, embora o grande público pense no uso nuclear apenas para os artefatos de ataque em massa, como as bombas, os tratamentos com radiações, popularmente conhecidos como radioterapia, por exemplo, existem desde o início do século 20 e são usados em mais de 60% dos casos de cânceres. Belo Horizonte, inclusive, foi pioneira. “Em 1922, o médico Eduardo Borges da Costa inaugurou o Instituto do Rádio, onde eram feitas aplicações de rádio com agulhas em pacientes. ”, recorda. O instituto se tornou referência no tratamento de câncer em Minas. Em 1926, recebeu a visita da vencedora de dois prêmios Nobel – (de Física e Química) –, a polonesa Marie Curie.

Serviço

O evento é gratuito e aberto à população.

Outras informações pelo telefone (31) 3409-6666 e http://www.cctn.nuclear.ufmg.br/

Programação

Amanhã

8h às 8h50 – O papel da universidade na formação de pessoal da área nuclear – Claubia Pereira Bezerra Lima
9h às 9h50 – Tecnologia dos reatores nucleares de potência e de pesquisa – Clarysson Alberto Mello da Silva
10h15 às 11h05 – Energia nuclear no Brasil: vale a pena ter mais? – Leonam Guimarães
11h15 às 12h05 – Mercado de trabalho e oportunidades no setor nuclear – Ilson SoaresEletronuclear

Quarta-feira

8h às 8h50 – Radiação natural e sua contribuição de dose no ser humano – Danilo Chagas Vasconcelos
9h às 9h50 – 117 anos da descoberta dos raios X: Importância para a sociedade e a ciência – Tarcísio Passos Ribeiro de Campos
10h15 às 11h05 – Ciclo do combustível nuclear – Humberto Vítor Soares e Patrícia Amélia Lima Reis
11h15 às 12h05 – Reatores Nucleares Avançados – Fabiano Cardoso da Silva

Quinta-feira

8h às 8h50 – Aplicações das radiações para o tratamento do câncer –Patrícia Lima Falcão Valença
9h às 9h50 – A energia nuclear na matriz energética brasileira – Ricardo Brant Pinheiro
10h15 às 11h05 – Seleção de novos sítios para as usinas nucleares – Drausio Lima Atalla
11h15 às 12h05 – Segurança das usinas nucleares e o evento de Fukushima – José Manuel Diaz Francisco

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