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Transporte público é chave para melhoria da mobilidade urbana

Postado em: 17/06/2013

As desvantagens do transporte individual e as políticas para estimular o transporte público foram destacadas pelo mestre em Engenharia de Transportes e Técnico de planejamento e pesquisa da Coordenação de Estudos Urbanos do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, durante o Ciclo de Debates Mobilidade Urbana: Construindo Cidades Inteligentes, realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, nos dias 13 e 14 de junho.

Carlos Henrique ministrou a palestra magna: Desenvolvimento Urbano, Mobilidade e Deseconomias. Ele revela que virou uma tendência nas grandes metrópoles trocar o transporte coletivo pelo individual. Nos últimos 15 anos, a frota de moto cresceu três vezes mais que a economia e a de automóveis duas vezes mais. Para o mestre em Engenharia de Transportes a situação se deve pela facilidade de se adquirir um automóvel. “Em 1950 só os ricos tinham automóveis, era artigo de luxo”, comenta. Para ele, as políticas públicas também estimulam o uso do transporte individual. Carlos Henrique Carvalho ainda afirma que a taxa de motorização no Brasil está abaixo dos países vizinho e que a indústria de automóvel já percebeu a situação.

Desvantagens do transporte individual

Uma das desvantagens do transporte individual em relação ao público é o comprometimento da renda. “As famílias brasileiras gastam cinco vezes mais com o transporte privado do que com o público. Isso representa 15% sobre a renda das pessoas”, informa Carlos Henrique. Ele ainda revela que, “à medida que a renda das famílias aumenta, elas tendem a gastar mais com o transporte privado e, quando a remuneração é menor, cresce a procura pelos meios de locomoção públicos”. O técnico do Ipea explica que essas atitudes não são naturais e que na Europa há um alto nível de utilização do transporte público, mesmo em famílias de renda maior. Segundo ele, isso acontece porque lá a qualidade deste serviço é boa.

Outra desvantagem do transporte individual, segundo Carlos Henrique, são os acidentes. No período de 1997 a 2011 houve um crescimento de 32% nas mortes por acidentes com transporte terrestre. Dados do SUS revelam que as grandes vítimas são os motociclistas. Ao quantificar os custos dos acidentes de trânsito, chega-se ao valor de 40 milhões de reais por ano. “Os principais custos dos acidentes são a perda de produção, danos à propriedade e custos médicos- hospitalares”, identifica.

Além dos acidentes, outra questão que deve ser levada em conta é a dos poluentes urbanos. Só em São Paulo são registradas 3000 mortes por ano em função de poluentes locais. No entanto, os carros atuais poluem 10 vezes menos do que um carro da década de 80. Carlos Henrique de Carvalho alerta que estamos chegando a um ponto de inflexão e defende políticas que estimulam a pesquisa de novas tecnologias que poluam cada vez menos.

O congestionamento é outra consequência da utilização do transporte privado. “Se em 1992 o percentual de pessoas que gastavam mais de uma hora para chegar ao trabalho era de 10,6%, em 2009 era de 15%”, revela o mestre em Engenharia de Transportes.

Soluções

Para se alcançar um sistema de mobilidade urbana sustentável, Carlos Henrique Carvalho defende um serviço de mobilidade com menor emissão de poluentes, com tarifas menores, a garantia do direito básico de ir e vir das pessoas e a equidade dos espaços urbanos, entre outras atitudes. Para estimular o transporte público e desestimular o individual algumas medidas devem ser tomadas, como, por exemplo, a oneração da aquisição de veículos e do uso de automóveis, assim como o barateamento do transporte público. Deve-se, também, fazer um dimensionamento do espaço viário e planos de circulação, bem como o planejamento urbano integrado.

Painéis

O Primeiro painel do Ciclo de Debates teve como tema Mobilidade e Desenvolvimento das Cidades: Governança Política, Planejamento Integrado e Articulação das Políticas Públicas. Uma das convidadas, a Professora- coordenadora do Núcleo Jurídico de Políticas Públicas da Faculdade Mineira de Direito da PUC Minas e Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico e do Observatório das Metrópoles, Marinella Machado Araújo. Para ela o problema da mobilidade urbana não deve ser enfrentado sem levar em consideração o planejamento comprometido com uma abordagem que leve em consideração uma perspectiva global. A pesquisadora chamou a atenção para a necessidade de outras estratégias que transcendam ao do uso do transporte coletivo para resolver a questão da mobilidade. “Falamos de uma mudança de postura que pode ser justificada pelo princípio democrático. O cidadão tem que tomar consciência que o problema não é só da esfera pública, é da privada também. Temos que chamar a população para a responsabilidade da mobilidade urbana”. Para Marinella Araújo, uma das maneiras com que o cidadão pode ajudar na melhoria da mobilidade urbana é com a carona solidária, que consiste na otimização do uso de veículos particulares.

Outro convidado do painel foi o professor, assessor e perito sênior local do Ministério das Cidades no projeto de implementação da Lei de Mobilidade Urbana, Emílio Merino Dominguez. Para ele, pouca coisa se fez até agora sobre a política de mobilidade urbana. O professor considera que a participação social democrática é essencial para o plano de mobilidade, além do financiamento da mobilidade urbana, do planejamento territorial, da sustentabilidade socioeconômica e ambiental e das redes de transporte de carga e passageiro.

A Lei 12.587, que institui a política nacional de mobilidade urbana foi analisada pelo professor da Fundação João Pinheiro, Geraldo Spagno Guimarães. Para ele, a lei trouxe avanços como políticas tarifárias que permitem tratar com inteligência a sustentabilidade econômica; a equidade no uso do espaço público e gestão democrática e controle social do planejamento, garantindo acesso a dados e participação da conduta e dos resultados. Entre os principais desafios que os municípios terão que enfrentar com a lei é o de se adequar aos municípios menores e o da educação para a mobilidade.

Especialistas discutem modais de transporte público

O segundo painel do Ciclo de Debates realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nos dias 13 e 14 de junho, teve início com o painel “Alternativas do Transporte Coletivo: BRT, Monotrilho, VLT, Metrô e Trem de Passageiros”. Na ocasião, cada modal de transporte foi apresentado com suas vantagens e desvantagens. De acordo com Célio Freitas, diretor de Planejamento da BHTrans, o BRT vai reduzir em 52% o tempo médio da viagem que o cidadão de Belo Horizonte gasta com o ônibus convencional. Freitas apresentou o sistema de BRT, que está sendo instalado na capital mineira, dizendo que foi o melhor sistema encontrado, uma vez que possibilita a integração tanto com os ônibus que já circulam, quanto com o metrô.

Berilo Torres, diretor comercial em Minas Gerais do Grupo Queiroz Galvão, apresentou o monotrilho. Segundo ele, o monotrilho seria o modal ideal para BH, levando em consideração a velocidade do transporte e a quantidade de passageiros transportados. “O monotrilho pode transportar de 20.000 a 50.000 passageiros hora/fluxo/sentido, com velocidade de 25km a 35km por hora”, informou. As vantagens, segundo Berilo são muitas. “Exige uma menor necessidade de desapropriações, uma vez que são construídas vigas; possui maior velocidade de implantação (5km/ano); tem grande capacidade de transporte de passageiros – 1.070 passageiros por vagão -, baixo custo de implantação; pouco ruído e sem emissão de poluentes”, explicou. Além disso, Berilo disse que o monotrilho é aplicável em terrenos com curvas acentuadas e desníveis.

O responsável por apresentar o metrô foi Ubirajara Tadeu Malaquias Baia, analista técnico da Superintendência de Trens Urbanos de Belo Horizonte da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Ele contou que existem 181 sistemas de metrô ao redor do mundo e que sete destes estão no Brasil. “Em Belo Horizonte existe metrô sim. O nosso sistema possui as características do metrô, que são 4 a 10 carros por composição, transporte de 1.500 a 3.000 passageiros por trem; intervalo em horário de pico menor do que 4 minutos”, ressaltou. Ubirajara considera o metrô como a melhor alternativa para o transporte público, mas lembra que ele não é uma atividade que gera lucro e tem alto custo de implantação.

Luiz Otávio Portella, membro da Comissão de Transportes da Sociedade Mineira de Engenheiros e da Comissão de Infraestrutura da Câmara do Comércio França-Brasil falou sobre o modal VLT. Segundo Luiz Otávio, o VLT é um sistema utilizado há séculos, tendo começado com os antigos bondes. Várias cidades possuem esse modal pelo mundo e ele tem vantagens a serem consideradas. “O VLT tem capacidade média de transporte de passageiros, podendo carregar 60 pessoas. Ele não gera poluição, pois seria alimentado por energia elétrica, tem baixo custo de implantação, além de ser integrável aos modais já existentes”, explicou. No entanto, como possuem interferências de cruzamentos, pode se envolver em acidentes.

O evento contou, ainda, com mais um painel no dia 13 de junho. Este falou sobre o tema “Cidades e Infraestruturas de Mobilidade Urbana: Desafios e Estratégias”. Já no dia 14, foram realizados dois painéis. O primeiro foi sobre “Desafios da Efetividade do Planejamento em Mobilidade Urbana: Financiamento, Fiscalização e Controle Social”. O segundo painel discutiu “Mobilidade Urbana e Cidades Inteligentes e Sustentáveis: Educação, Acessibilidade, Meio Ambiente e Novas Tecnologias”.

Veja, nos links abaixo, a cobertura completa do evento

13/6 - Cidades e Infraestruturas de Mobilidade Urbana: Desafios e Estratégias
14/6 - Desafios da Efetividade do Planejamento em Mobilidade Urbana: Financiamento, Fiscalização e Controle Social
14/6 - Urbana e Cidades Inteligentes e Sustentáveis: Educação, Acessibilidade, Meio Ambiente e Novas Tecnologias

Enviado por: Luiza Nunes



Ciclo de Debates na Assembleia Legislativa de Minas Gerais discutiu causas e soluções para
a mobilidade urbana e as maneiras de se construir cidades inteligentes e sustentáveis.

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