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SOS Brasil Soberano

Terceira edição do Simpósio SOS Brasil Soberano é realizada em Minas Gerais

Postado em: 11/07/2017

Belo Horizonte recebeu, no dia 8 de junho, a terceira edição do Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado pelo Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG) em parceria com o Senge Rio de Janeiro, o Senge Espírito Santo e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), no auditório do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). O evento teve o intuito de debater, com profissionais de diferentes áreas, a situação socioeconômica e política em que o Brasil se encontra e produzir uma agenda de programas e projetos para o país, que passam pelo resgate da Engenharia e da Soberania nacionais, indo em direção oposta à do atual governo. As duas primeiras edições do Simpósio foram realizadas no Rio de Janeiro e Salvador, respectivamente, e a quarta e última edição será realiza em Curitiba, no dia 14 de julho. 

Reformas antipopulares

O momento pelo qual o Brasil tem passado, marcado pela crise política e por reformas antipopulares, foram destacados pelos componentes da mesa de abertura da 3ª edição do SOS Brasil Soberano. O diretor do Senge-MG e Subsecretário de Projetos da Secretaria de Transportes e Obras Públicas e organizador do Simpósio em Minas Gerais, Marcos Túlio de Melo falou sobre a crise no Brasil. Para ele, a crise é decorrente do golpe que tirou do poder a ex-presidente Dilma Rousseff. Marco Túlio explicou que, no atual governo, houve um retrocesso nos projetos que viabilizaram o crescimento econômico e as políticas sociais nos últimos anos.

O presidente do Senge-MG, Raul Otávio da Silva Pereira, destacou que o Simpósio é uma forma de instrumentalizar a todos para que seja retomado o debate dentro de um patamar mais avançado. “Para fazer um contraponto às informações distorcidas que escutamos nos ambientes que frequentamos, como escola, trabalho”, explicou. O presidente do Senge-MG ainda afirmou que temos uma disputa perdida no últimos 12 ou 24 meses que foi a disputa de ideias, que nos levou a ter conflitos na família, no trabalho, na rua, com amigos e parentes. “A disputa de ideias que se travou, nos deixou acuados, oprimidos, arredios e momentaneamente sem reação. Esta perda na disputa de ideias não foi por acaso. Foi de forma estruturada e planejada.”

Debates

Os debates reuniram profissionais de diferentes áreas de atividade, acadêmicos, formadores de opinião, parlamentares e representantes da sociedade civil. A edição em Minas Gerais teve como tema “O mundo do trabalho, poder e sociedade na perspectiva da construção de um novo projeto para o Brasil”.

A programação foi realizada com duas mesas. A Mesa 1 destacou a Soberania ou Dependência e teve como participantes o membro da direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/ MST, João Pedro Stédile, o professor e doutor em ciências políticas, Jorge Rubem Folena de Oliveira, o ex-reitor da UFMG e ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, o professor Clélio Campolina Diniz, e o jornalista e editor do blog Tijolaço, Fernando Brito.

Um dos fundadores do MST, João Pedro Stédile, destacou que o modelo de Estado está em crise e precisa ser radicalmente reformulado.  Segundo Stédile, o modelo gestado para fazer a burguesia industrial enriquecer acabou. "Quem domina hoje é o mercado financeiro, que acumula sem o Estado e sem a necessidade da estabilidade do trabalho. Eles não precisam mais de regras, porque o capital financeiro acumula e basta garantir um bom gestor", explicou.

Ainda de acordo com Stédile, o capitalismo sempre que entra em crise promove a destruição do capital acumulado (trabalho humano e bens materiais), para que, com a destruição, seja aberto um novo ciclo de acumulação. "Quando há crise do capital, as grandes empresas vão para os países periféricos e nos impõem condições cada vez mais draconianas. É a guerra que destrói. Bush tentou fazer isso apelando para a guerra quando eclodiu a crise internacional. Fizeram dos povos do Oriente as vítimas. Acabaram com a Líbia, Afeganistão e agora com a Síria. A guerra não resolveu o problema da crise do capitalismo e hoje não estão sabendo, do ponto de vista de acumulação, sair da crise", contou.

Identidade Nacional

A busca de uma identidade nacional, como principal caminho para o alcance da soberania, foi a proposta levantada pelo jornalista Fernando Brito, no III SOS Brasil Soberano. Segundo o jornalista, não é possível enfrentar a crise sem a ideia de nacionalismo e sem um projeto de nação.

Para Brito, a falta de compreensão do grande capital das riquezas do país é uma grande dificuldade para alcançar esta identidade única. “O brasileiro não consegue entender que temos uma população e um território, que nos equiparam ao restante do mundo. Vamos deixar isso parado? Vamos cultuar a ideia de que o progresso é apenas institucional?”, questionou. “Nós sempre tivemos preços ridículos em relação à produção agrícola, o que obriga a retirada em grande quantidade. Ocorre a extração mineral e de produtos agrícolas, sem a devida valorização. O que acaba sendo uma situação desastrosa. Nunca enxergamos uma forma de alavancar e valorizar”.


Mesa de abertura do III Simpósio SOS Brasil Soberano 


Mesa 1: Soberania ou Dependência 

 

Espaço urbano representa oportunidade importante para o desenvolvimento nacional

Base urbana do país precisa ser reorganizada de forma induzida e coordenada pelo Estado

Para superar a crise e retomar o desenvolvimento em um modelo que assegure direitos aos trabalhadores e soberania sobre as riquezas nacionais, Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta algumas frentes. Entre elas, em especial, a reorganização da base urbana do país. “O espaço urbano é uma oportunidade importante de desenvolvimento industrial. Se agregarmos também o espaço rural, os transportes, de forma compatível com ações sustentáveis do ponto de vista do clima e ambientais, teremos um projeto de desenvolvimento nacional.” Mas o sociólogo do Dieese ressalta que essas questões precisam ser induzidas e coordenadas pelo Estado. O capital atraído pelo projeto do atual governo, ressalta, não vai abordar os problemas do país com essa lógica, porque seu compromisso é apenas a buscar o máximo de lucro financeiro.

Clemente Ganz Lúcio esteve na segunda mesa de discussão do III Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado em Belo Horizonte, em 8 de junho. A mesa teve como tema Demografia e Previdência no Brasil. Na explanação de um dos componentes, o engenheiro mecânico e de operação, ex-reitor da UFMG e Ministro de Ciência e Tecnologia e Inovação em 2014, Clélio Campolina Diniz,  foram apresentados dados e análises sobre o cenário mundial de crise política e econômica, e da fragilização do modelo capitalista. O engenheiro mostrou mapas mundiais com a comparação do tamanho dos territórios, dos PIBs e da população. A desproporção das imagens demonstrou a centralidade destes três fatores para a análise global. Quando o fator em jogo é o PIB, o mapa da escala geográfica, conhecidos nos mapas tradicionais, incha da metade norte e encolhe no sul do globo. Já com quando o recorte é o tamanho da população, a Ásia se destaca. “São variáveis importante para discutir uma geopolítica do mundo”.

Mudança de paradigmas

Como bases para uma mudança de paradigmas da organização do Estado, Clélio Campolina Diniz aponta a necessidade de garantir bem-estar material, justiça social, sustentabilidade ambiental e soberania dos povos. Mas alerta para a necessidade de um planejamento estrutural e intencional, que leve em conta a complexidade da sociedade brasileira, e que seja aplicado com um processo em constante avaliação e adaptação.

Entre as mudanças estruturais mais urgentes, aponta a reforma do Estado por meio de uma Constituinte, feita com participação popular. A reforma tributária deve passar a onerar mais as faixas da população com maiores rendimentos, e não o contrário, como ocorre no sistema atual. Educação básica integral e de qualidade é outra proposta de Diniz, para o avanço em “igualdade de condições”. Na avaliação dele, manter a qualidade da educação precária é parte de uma estratégia de submissão. “O dia que você resolver a educação básica, você deixa de ter serviçais”.

A deputada federal Jô Moraes, que também compôs a segunda mesa, alertou que “resistir é fundamental, é necessidade imediata. Mas temos que discutir novas alternativas que levem em conta essa realidade imposta”. A deputada chamou atenção para a necessidade de, além de resistir e negar, discutir alternativas à política previdenciária diante dos novos dados demográficos, sem esquecer, ressalta, a permanência da inclusão como forma de proteção social.

Participaram, também da Mesa 2 o pesquisador da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pós-doutorando no Departamento de Ecologia Humana e População da Universidade Complutense de Madri, Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira; o Presidente da Frente de Engenharia e Desenvolvimento Nacional e Deputado Federal (PDT-AL) Ronaldo Lessa e o jornalista Aloísio Lopes. 

 


Mesa 2: Trabalho, Demografia e Previdência no Brasil

 

Engenharia é fundamental e está na base do desenvolvimento de qualquer país

Palestrantes do III Simpósio SOS Brasil Soberano falam sobre a importância da Engenharia

Mais do que discutir as contrarreformas e falar sobre o momento político e econômico pelo qual o Brasil está passando, o III Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado em Belo Horizonte, no dia 8 de junho, pelo Senge Minas Gerais, Senge Rio de Janeiro, Senge Espírito Santo e Fisenge, também foi palco para discussão da importância da Engenharia para o desenvolvimento e soberania nacionais.

Para Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), não há país que se desenvolva que não tenha a Engenharia na sua base, para o desenho e para a implantação de uma estratégia de desenvolvimento. Para que a sociedade tenha esta consciência, Ganz vê a necessidade da realização do debate com a mesma. “Fazer um debate, como o Senge faz hoje, de um projeto de desenvolvimento é uma forma de materializar esta concepção. Fazer a discussão da estratégia de desenvolvimento da energia, da inovação tecnológica, são formas de materializar o conhecimento e o papel da Engenharia na sociedade”, acredita.

A categoria dos engenheiros é muito importante em qualquer sociedade, segundo João Pedro Stédile, membro da direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/ MST. “Ela que transforma a ciência em tecnologia, ou seja, transforma conhecimento científico acumulado na humanidade em formas concretas de resolver os problemas do povo. Qualquer projeto do país, sobretudo para superar a crise, vai depender da necessidade de envolvimento da categoria dos engenheiros.” No entanto, ele faz um alerta. “ Dede que eles (engenheiros) tenham consciência que devem estar com seu conhecimento e sua tecnologia a serviço da solução dos problemas do povo.”

O presidente da Frente de Engenharia e Desenvolvimento Nacional e Deputado Federal (PDT-AL) Ronaldo Lessa vê a necessidade de aumentar a participação dos técnicos na política. Lessa defendeu a necessidade de acabar com o mito de que o profissional de áreas técnicas, como a Engenharia, é "frio" e que não seria um bom executivo. “Se a gente ocupasse mais espaço no poder, nos cargos de decisão deste país, nós seríamos outro país”, avalia. 

Simpósio objetiva formular propostas de projeto nacional

O Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) foi o idealizador do Simpósio SOS Brasil Soberano, que foi abraçado pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). “Precisamos propor alternativas que recoloquem o Brasil em condições de voltar a crescer economicamente, com soberania e dignidade para o povo trabalhador”, afirma Olímpio Alves dos Santos, presidente do Senge e vice-presidente da Fisenge. Para isso, os simpósios serão um espaço aberto para construir de forma participativa um projeto nacional, considerando um cenário até 2035, focado na engenharia, na soberania e no desenvolvimento econômico e social.

A primeira edição do Simpósio ocorreu no dia 31 de março, no Rio de Janeiro com o tema “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão”. A escolha da questão do emprego para iniciar os encontros explica-se, de acordo com Clovis do Nascimento, presidente da Fisenge, por ser a mais urgente. “Já são cerca de 13 milhões de desempregados, de acordo com o IBGE, considerando apenas os dados do trabalho formal. “É a maior crise da história recente do país”, avalia. “Nós, engenheiros, entendemos que sem planejamento não conseguimos chegar a lugar algum. Nosso objetivo é pensar e contribuir para a construção de um novo Brasil. O nosso país tem expertise em diversas áreas, como prospecção de petróleo em águas profundas, e não podemos ficar caudatários da internacionalização da engenharia e do ataque à soberania nacional.”

Na Bahia, o II Simpósio SOS Brasil Soberano reuniu cerca de 200 pessoas no dia 27 de abril para debater o tema Engenharia, tecnologia e aproveitamento de recursos naturais no Brasil, no auditório da Escola Politécnica da UFBA, em Salvador. Na pauta, propostas para reverter a desnacionalização da infraestrutura, da indústria, e dos patrimônios naturais do país, especialmente nos segmentos de petróleo, inovação e desenvolvimento tecnológico.

Em Curitiba ocorreu, no dia 14 julho, a última edição do SOS Brasil Soberano , com o tema “Brasil, 2035, uma Nação Forte, Democrática e Soberana!”

Enviado por: Luiza Nunes 

 

 

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