| Aquecimento Global: Quem vai pagar a conta? |
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Prof. Nilo Sérgio Gomes* Em Copenhague, no mês de dezembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) reunirá quase 200 países com o objetivo de definir quem e como financiar a transição da economia mundial para um modelo denominado Baixo Carbono. Serão necessários bilhões de dólares para viabilizar novas tecnologias para a produção de energia a um custo que não pressione custos na indústria, nos serviços e na agricultura. Outros bilhões de dólares devem ser utilizados para minimizar os efeitos de fenômenos catastróficos, oriundos da mudança climática, principalmente nos países menos desenvolvidos e, portanto, mais vulneráveis. Os países mais ricos, há décadas, poluem de forma mais intensa o nosso planeta e, portanto, possuem uma responsabilidade histórica maior com este problema. Este será, sem dúvida, o maior desafio que a humanidade irá enfrentar neste século e, pelo princípio da responsabilidade histórica, as nações ricas – maiores culpadas pelo aquecimento global – deveriam ser responsáveis por pagar esta conta. Considerando o exposto acima, o Senge-MG defende a proposta do G-77 + China, em que os países ricos devem destinar de 0,5% a 1% ao ano de seus PIBs para um fundo administrado por um órgão ligado à Convenção do Clima da ONU. Defendemos também – reafirmando o princípio da responsabilidade histórica – que a conta necessária para superar os problemas decorrentes das mudanças climáticas deveria ser distribuída de modo que os Estados Unidos fiquem com 40%, a Europa com 30%, o Japão com 10% e os demais países com 20%, mas poupando desta dívida os países mais pobres do mundo. “Não podemos permitir é que esta negociação sobre o clima defina os países que poderão se desenvolver e os países que ficarão na miséria, dentro de um muro, sujeitos a condições climáticas instáveis e devastadoras.” Não podemos mais negar a realidade que se impõe às futuras gerações. E para que a temperatura do planeta não suba mais que 2º C neste século, evitando enormes catástrofes, devemos iniciar mudanças urgentes nos nossos sistemas de produção e reduzir drasticamente a emissão de gases causadores do efeito estufa dos países desenvolvidos para algo em torno de duas toneladas de carbono per capita. Hoje, os americanos emitem 23 toneladas per capita, os europeus, 10 toneladas ao ano e os chineses, 5 toneladas ao ano. Podemos exemplificar com uma questão fundamental para evitar mudanças climáticas em maior escala: a introdução do carro elétrico e a substituição do transporte a base dos derivados do petróleo, por veículos de tração elétrica. Nos países em desenvolvimento, que fazem uso intensivo dos derivados do petróleo no transporte de pessoas e mercadorias, precisaremos de enormes recursos financeiros para mudar esta realidade. Quem vai financiar e até mesmo subsidiar investimentos em ferrovias, metrôs, veículos leves sobre trilho e em infra-estrutura de geração de energia elétrica para substituir a utilização dos derivados do petróleo para transportar pessoas e mercadorias? O debate em torno do aquecimento global e do tratado climático não pode se transformar em uma pura questão de definição de quem tem direito de crescer. Neste sentido, o Sistema Confea/Creas deve aprofundar este debate e se posicionar, pois este é o maior desafio que a engenharia vai enfrentar neste século.
(*) Nilo Sérgio Gomes é engenheiro eletricista, professor da Puc Minas e presidente do Senge-MG.
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