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Artigo

Engenharia em desmonte

Postado em: 27/07/2015

Por *Pedro Celestino - Clube da Engenharia do Rio de Janeiro


Artigo publicado na editoria Opinião do Jornal O Globo de 23 de julho de 2015

A engenharia brasileira está em processo de desmonte, levada de roldão pelo impacto das investigações em torno de denúncias de corrupção que atingem a saúde financeira e colocam em perigo a sobrevivência de algumas das principais empresas nacionais do setor, especialmente na área de construção pesada.

Não se pretende discutir aqui as investigações. Se comprovada a existência das irregularidades, os responsáveis devem ser punidos depois de cumpridos todos os ritos previstos na legislação. O combate à corrupção, contudo, não pode, nem deve, servir de pretexto para destruir um patrimônio tecnológico e de conhecimento construído ao longo de mais de seis décadas por empresas que conduzem hoje, assim como conduziram no passado, as obras que permitiram ao Brasil dar um salto significativo em desenvolvimento e levaram a excelência de nossa engenharia para mais de 40 países.

Em um momento tão delicado, nós, os engenheiros, não podemos deixar de defender o setor que moderniza a infraestrutura nacional em áreas tão estratégicas como a da geração de energia, exploração de petróleo, telecomunicações, saneamento e logística, só para citar algumas. Não temos como nos calar diante de uma realidade que já levou ao desemprego mais de 20 mil trabalhadores e ameaça muitos milhares de outros diante do bloqueio cautelar que impede a participação de muitas dessas empresas em licitações futuras.

E especialmente, temos de nos posicionar para impedir que as leis sejam desrespeitadas por quem advoga a tese de que construtoras com décadas de história, acúmulo de conhecimento, criação de inteligência no setor, responsáveis pela profissionalização de mão de obra, com reconhecimento internacional e serviços altamente qualificados sejam impedidas, a priori, sem defesa ou julgamento, de participar de qualquer licitação.

As empresas de construção pesada atuam em todos os estados, erguem pontes, constroem rodovias, ferrovias, metrô, levantam hidrelétricas, alavancam a economia, geram mais de um milhão de empregos diretos e indiretos, investem em qualificação e avanço tecnológico, constroem, e integram, em resumo, o Brasil.

É urgente resgatar a confiança e a credibilidade do setor de construção pesada, assim como o respeito à Petrobras e seus profissionais, pois o desenvolvimento do país depende da participação de cada construtora, assim como da recuperação da mais significativa estatal nacional. Não temos o direito de prejulgar empresas que são patrimônio brasileiro. Não temos o direito de colocar nossa infraestrutura em risco, de provocar desemprego e, até, de alimentar ameaças à democracia que tanto tempo levamos para reconquistar.

Acompanhamos as investigações, mas sem perder de vista que temos o desafio de projetar o país do futuro, encarar o amanhã. Ou insistimos no rumo do desenvolvimento com inclusão social e integração regional para nos fazermos presentes e estratégicos em um mundo multipolar ou voltaremos ao passado, que se perdeu na memória de muitos, de subordinação aos interesses internacionais.

*Pedro Celestino é membro do Conselho Diretor e candidato à presidência do Clube de Engenharia

Enviado por: Luiza Nunes

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